sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Alado


Doe asas pra quem quer voar
Capoeira, estrela do mar
Fantasia de quem "poesia" o sol e o mar
E o sopro das nuvens do céu
Combustível da asa de papel
E o som que faz a palavra decolar

Alado
Em vento fraco
Brisa leve
Que perpassa a nossa pele
Nos convida a viajar
Alado
Imaginário se complete
Horizonte que reflete
O cristal do meu olhar

E a noite eu trilho o luar
Encantos na voz de Iemanjá
Eu me perco em beleza de tal inspiração
Planando toda imensidão
Me vejo no "espelho-clarão"
Eu mergulho oceano, pouso constelação.


Victor Guimarães

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Delícia Paixão

Viver a delícia de um sabor
Não é muito diferente de vivê-la em amor
Pôr-se em claustro profundo de indagações
e ao mesmo tempo ouvir respostas íntimas de um desprezo gostoso,sorridente...
É vislumbrar fundos e mundos paralelos
no contrário da agonia e da solidão
que em paradoxo ou não
sempre se faz presente em ausências tuas...
...saudades nuas...sem lastro,às vezes...

Triunfa aquele que não sabe que joga
que vive e se afoga
em mares de lábios e gozos intermináveis

Apto ou não,
por atos em vão,
Fujo de tudo que, nessa vida,
não começo ou eternizo com paixão.


Victor Guimarães

Era pra Refletir

Era pra refletir
era para encontrar o sol nos olhos do outro
refletir-se neles...
refletir na profundidade deles
Encontrar-se no escuro
e buscar a causa de tantos acasos
Querer mais do que o confortável
Quebrar a inércia do senso comum
Saber mais sobre a imagem especulada
aos olhos e à alma

Permitir-se ressoar
se questionar
refletir
refletir-se



Victor Guimarães

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Meu Violão


Meu violão é arte.
Você goste ou não
Ele é!

Seu braço se faz aquarela
de todas as matizes
daqui...Dali
Vejo nitidamente os contrastes alvos e negros,
Rosas e azuis, brilhos e sombras.

Sua mão se esculpe Ticianamente
Como o nu naturalista
Que faz um som brotar
Entrelaçando o nylon
Que remete à dedos que se tocam intimamente sozinhos.

Seu corpo é caverna das lembranças
Onde se escondem as palavras trovadas
Em rimas metrificadas e sonetos.
Onde se perdem os sentimentos
Que, não mais que de repente,
Se ecoam em afagos.

Minto...meu violão sou eu.


Victor Guimarães

Deserto de Cabeças


Deserto
De um horizonte só
Que suspeito ser esférico

Sigo a trilha das flores
Tão belas...
Confortantes lembranças de uma paisagem que vai ficando pra trás
Sigo as pegadas de quem por aqui já marcou solo
Espelho a doutrina dos vencedores dessa imensidão

Imensidão...
Deserto de cabeças e tropeços
Deserto de vítimas-algozes
De presentes e punhais
Onde a preguiça do sonhador faceia o destemor do ingênuo

Surgem crânios crus
Guerreiro de físico estafado, alma regozijante
Surge a sensação de abraço
Penso em esmagar os ponteiros do tempo
Penso em fugir da inevitável lembrança dos erros e acertos não tão úteis

...Mais um tropeço
Decaio-me sobre o já esperado:
Um pedaço de mim.


Victor Guimarães