quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Tudo Sobre Mim



Pele sobre pele
Carne sobre carne
Mantos sobre mantos
...e penso que me conheço...
...afirmo saber tudo sobre mim...
Sei tudo que está sobre mim!
Isso não inclui as zonas mais abissais da minha essência
Minha ancestralidade comum...a linha que me nutre desse teia.

Maia se disfarça de mente
e me cobre os sentidos permitindo apenas 5
Mantos sobre mantos
Tudo sobre mim
Escombros e ruídos me impedem de tocar a vida que me aquece
Quero olhar o labirinto de cima
e destruir as vozes, visões e tentações
que me controlam o passado e o futuro
Eu sou a ordem, não essa bagunça!


(Victor Guimarães)

segunda-feira, 4 de julho de 2011

A Caixa



Dentro da caixa
As lembranças
Dentro de mim
As saudades
Dentro de nós
Toda a sinestesia capaz de rechear a vida
Dentro daqueles minutos
A adolescente euforia de quem passou pela solidão

Hei de refazer os sorrisos
Remontar nossos sonhos a cada dia
Sugar de ti toda a rebeldia
E transformá-la em serenidade em meu peito
Sabes da importância do meu acalento
Dependes dos meus afagos como respiro sua inconstância
É a vida da minha inspiração
É a morte da minha agonia
É a caixa que se abre em magia e nostalgia
Com o aroma da minha juventude pelos próximos e perpétuos anos...

Vê-se, então,
Que nada é mais forte que a poesia dos olhos, essências e afagos
Nada é mais claro que a música e os sabores beijados

Palavras coreografadas se mostram inócuas quando se abre um caixa de sensações



(Victor Guimarães)

terça-feira, 24 de maio de 2011

Sobre a Beleza das Cicatrizes


Militarmente educado pra ser feliz.
Mas quem vive pra infelicidade?
Questionam seus propósitos,suas ambições.
Só encontram respostas escapistas...
Só ele precisa das suas verdades.
Querem esteio, franco castelo medieval.
Até encontram, mas com os fosso vazio de dragões.
Desilusões?...não há...
Ilusões? (risos)...poderia vender se tivesse necessidade.
Necessidade...
Só de colo, silêncio e sons.
Todos sabem o melhor pra ele
e ele prefere continuar cavando seus álibes com as próprias unhas.
Muleque insolente!
(angelicalmente resistente)
Que aponta seus defeitos olhando para um espelho e dizendo:
"-Me larga!...por favor..."

Ele pôs minha mão esquerda sobre a sua,
a direita em sua barba rasa e completou:
"-Quero todas as cicatrizes que me priva."
E segue olhando pra frente...
Sem esperar que o horizonte o encontre.
Tentando transformar orgulo em humildade,
vaidade em simplicidade...tentando...
Ele só precisa viver suas dúvidas e abnegações,
suas batalhas e transformações

(Victor Guimarães)

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Menina


Ali mora a beleza de uma verdade oculta
A incerteza de uma razão de vida
A ligeireza da palavra não ouvida
A inocência da mocidade bruta
Ali estão as fagulhas apagadas pela chuva de lágrimas
que banha o corpo nutrindo-o do rio dos sentimentos.

Tudo por ela
Tudo por ele
...tanto por nada...
Fecha-se sozinho o livro das moças velhas.
Abre-se em tempestade a vida das Cinderelas.

Sorrisos te dizem daqui:
"É preciso ser amada para amar,
 ser vivida para viver,
 ser grande para crescer...
 jamais o contrario"

Victor Guimarães

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Linda

Você é Linda!
Tanto que não quero te tocar...
Sinto que posso tirar a alteza da sua luz
e mantenho-me alimentado por tanta clareza.
Inerte a todas as suas ações
Ao alcance das minhas mãos
prefiro os abalos da tua voz que,
como uma harmonia impecável,
espalha o timbre melífero, doce e cremoso.
Ah!...o seu ar...
Perfumado das químicas mais perfeitas
entre a sua respiração e os fugazes rosários
da juventude de experiência quase virginal.

Os românticos mais simbolistas me entenderão...e só esses me entenderão.

Abro os olhos
Observo a chuva que molha as minhas cortinas
Ceifo a imaginação pueril
Concluo: Como uma mulher é capaz de transfigurar uma realidade...

Victor Guimarães

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Ao "implacável" Tempo



Inexorável?
Subjulgue-se quem quiser
à truculência do deus das prioridades,
àquele que determina suas saudades impondo-lhe o passado,
seus planos delimitando a sua eternidade com essa teia que é o futuro.
Rei é o Sol
Que não se ilude nem se deixa enganar por suas promessas vans.
Energia clara
que com seus fótons em lúmens
circula entre a vida e a morte diariamente.

Grato ao imperador dos segundos,
comandante das ampulhetas,
experiencio a vida tentando ser Sol
E não segurar suas moletas.
Tudo acontece agora...é só uma questão de luz.


Victor Guimarães

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Alado


Doe asas pra quem quer voar
Capoeira, estrela do mar
Fantasia de quem "poesia" o sol e o mar
E o sopro das nuvens do céu
Combustível da asa de papel
E o som que faz a palavra decolar

Alado
Em vento fraco
Brisa leve
Que perpassa a nossa pele
Nos convida a viajar
Alado
Imaginário se complete
Horizonte que reflete
O cristal do meu olhar

E a noite eu trilho o luar
Encantos na voz de Iemanjá
Eu me perco em beleza de tal inspiração
Planando toda imensidão
Me vejo no "espelho-clarão"
Eu mergulho oceano, pouso constelação.


Victor Guimarães

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Delícia Paixão

Viver a delícia de um sabor
Não é muito diferente de vivê-la em amor
Pôr-se em claustro profundo de indagações
e ao mesmo tempo ouvir respostas íntimas de um desprezo gostoso,sorridente...
É vislumbrar fundos e mundos paralelos
no contrário da agonia e da solidão
que em paradoxo ou não
sempre se faz presente em ausências tuas...
...saudades nuas...sem lastro,às vezes...

Triunfa aquele que não sabe que joga
que vive e se afoga
em mares de lábios e gozos intermináveis

Apto ou não,
por atos em vão,
Fujo de tudo que, nessa vida,
não começo ou eternizo com paixão.


Victor Guimarães

Era pra Refletir

Era pra refletir
era para encontrar o sol nos olhos do outro
refletir-se neles...
refletir na profundidade deles
Encontrar-se no escuro
e buscar a causa de tantos acasos
Querer mais do que o confortável
Quebrar a inércia do senso comum
Saber mais sobre a imagem especulada
aos olhos e à alma

Permitir-se ressoar
se questionar
refletir
refletir-se



Victor Guimarães

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Meu Violão


Meu violão é arte.
Você goste ou não
Ele é!

Seu braço se faz aquarela
de todas as matizes
daqui...Dali
Vejo nitidamente os contrastes alvos e negros,
Rosas e azuis, brilhos e sombras.

Sua mão se esculpe Ticianamente
Como o nu naturalista
Que faz um som brotar
Entrelaçando o nylon
Que remete à dedos que se tocam intimamente sozinhos.

Seu corpo é caverna das lembranças
Onde se escondem as palavras trovadas
Em rimas metrificadas e sonetos.
Onde se perdem os sentimentos
Que, não mais que de repente,
Se ecoam em afagos.

Minto...meu violão sou eu.


Victor Guimarães

Deserto de Cabeças


Deserto
De um horizonte só
Que suspeito ser esférico

Sigo a trilha das flores
Tão belas...
Confortantes lembranças de uma paisagem que vai ficando pra trás
Sigo as pegadas de quem por aqui já marcou solo
Espelho a doutrina dos vencedores dessa imensidão

Imensidão...
Deserto de cabeças e tropeços
Deserto de vítimas-algozes
De presentes e punhais
Onde a preguiça do sonhador faceia o destemor do ingênuo

Surgem crânios crus
Guerreiro de físico estafado, alma regozijante
Surge a sensação de abraço
Penso em esmagar os ponteiros do tempo
Penso em fugir da inevitável lembrança dos erros e acertos não tão úteis

...Mais um tropeço
Decaio-me sobre o já esperado:
Um pedaço de mim.


Victor Guimarães